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quarta-feira, 30 de junho de 2010

Intacto


Alice saiu apressada de sua sala, sem despedir-se ou esbravejar. Ninguem a entendeu. Mas ela saiu para nunca mais voltar.
Aquele dia era o fim. O fim de seus sorrisos, para os que amava. O fim de seus olhares não correspondidos. O começo da liberdade. Não aquela adiquirida aos dezoito. Pois estava nos quinze. Apesar de já ter adquirido essa tal liberdade, desejada por muitos.
Estou falando da verdadeira liberdade. Da interior. De não esconder o que se sente. De ser realmente o que é, pra si mesma, e para os outros. Sem se esconder e contestar. A que agente as vezes insiste em não adquirir.

Pegou o ônibus, sentou-se ao lado da janela com os fones no ouvido, e as lágrimas nos olhos.
Alice não podia mais ser o que era. O que tentava ser, e não conseguia.
Sonhar com algo que estava tão próximo, embora não dava um passo para alcança-lo.

Veja ela, como ela é. Tire as sua mascarás. Junte-a aos teus sonhos. Suas palavras a fizeram ver o que o tempo ajudou a esconder. O que a magoa ajudou a se espandir.

Agora Alice via o transito parado, e os caros na mão contraria. Eles estavam deixando-a frustada.
Como pode uns irem tão depressa, enquando outros permanecem intactos?
Ela não entendia. E como entender, se nossos maiores desejos não são saciados pelas nossas maiores vontades.

domingo, 27 de junho de 2010

O outro lado


E lá estava eu, parada diante da ponte. sabia que era o certo atravessá-la, mas ainda sim não conseguia olhar para atrás sem me sentir culpada, sem que faltasse um pedaço de mim. Sei também que minha presença de nada adiantaria, eu não estava ali de verdade, não podia abraçar a quem amava, não podia fazer nada para ajudá-los. Só poderia olhar, e me contentar com aquilo.
Mas porque dizer adeus, porque botar um fim? Não me importaria de passar o resto da... como poderia chamar? sub vida ou existência, algo do tipo. Não teria mais um lugar pra chamar de lar, não teria mais ninguém com quem conversar, não teria mais uma vida.
O que me esperava do outro lado no entanto era muito menos obscuro ou triste, era na verdade a pura paz e alegria, pelo menos era o que havia escutado. Era irónico falar, mas não podia ficar ali pelo resto da "vida" escolhendo o caminho certo, tinha que me decidir, agora.
Uma vez que se ia, não podia mais voltar. Uma vez que ficava, tinha que ficar para todo o sempre. E então os vi, ali, sentados no banco do parque, as duas pessoas que mais amei em toda a vida, minha pequena criança, meu grande amor. Queria correr e abraça-los e nessa hora decidi que o certo era ficar.
Mas os vendo ali, com sorrisos melancólicos, trocando segredos, como costumavam fazer vi que de nada adiantaria permanecer, querendo uma realidade que já me fugia das mãos.
Sem olhar para trás, sem mais hesitações, parti.

Chorei lendo esse texto, (ouvindo life house- you and me). É da Rafaela, do blog Imagínaríum. Recomendo.

http://imaginarium96.blogspot.com/

Sinta-se


Leia ouvindo
Today Was A Fairy Tale(Taylor Swift)


Não posso reclamar e dizer que tudo foi em vão, quando as minhas atitudes foram felizes nos momentos em que as tive.
Me surpreendo com as melodias que ouso, com os sabores, que encontro.
Com o martelar dos pensamentos que em instantes se transformam em belas músicas, em saudades e vontades.
Tudo tem que ser pleno. Sublime, e confortante.
Falar ouvindo o som de sua boca, cantar com fervor, e emoção. Sentir a melodia, e dançar junto a ela. Experimente. Inove.
Sentir é difícil. As vezes doí, machuca. Mais é bom agente aprende.
Eu sinto. Sinto, e sinto, mesmo. Rindo ou chorando, sinta o que tem que sentir. Bom ou não.
Sinta-se. Seu passos, seu respirar, o vento, o beijo, a voz, a saudade. A quem diga que até a tristeza é algo bom para se sentir.
Não importa se você prefere o quente ou o gelado, desfrute daquilo que lhe faz bem. Apenas sinta.